Perda de contato interproximal entre próteses sobre implantes e dentes naturais adjacentes

Matéria da semana Diego Klee

Perda de contato interproximal entre próteses sobre implantes e dentes naturais adjacentes

Por Diego Klee

Desde a sua introdução, os implantes dentários têm sido uma opção de tratamento confiável para substituir dentes perdidos. O contato proximal adequado entre uma prótese suportada por implante e os dentes adjacentes é um importante critério clínico de qualidade, pois pode afetar a mastigação, a estabilidade do arco e a saúde peri-implantar, além de prevenir o acúmulo de alimentos. Infelizmente, as perdas de pontos de contato entre próteses sobre implantes e dentes adjacentes são frequentes, representando uma fonte de desconforto para os pacientes.

A perda de contato interproximal pode se desenvolver logo após a colocação da prótese e aumentar ainda mais com o tempo. As razões dessa complicação encontram-se na fisiologia do crescimento ósseo dentoalveolar humano e nas diferenças fisiológicas entre dentes e implantes. Os dentes são sustentados pelo ligamento periodontal e sofrem movimentação ao longo da vida. Os implantes, em contraste, apresentam contato direto com o osso, uma condição semelhante à dos dentes anquilosados. Portanto, ao contrário dos implantes, os dentes naturais sofrem uma migração dentária fisiológica, que ocorre durante e após a erupção.

Sabe-se que os implantes dentários não acompanham essa constante adaptação dos dentes naturais, que continua até a idade adulta avançada. Consequentemente, podem ser observados efeitos adversos, como perda dos pontos de contato interproximais ou infraposição em relação aos dentes naturais adjacentes.

Em relação à perda de pontos de contato, os dados apresentados na literatura indicam que as faces mesiais das restaurações implantossuportadas são consideravelmente mais afetadas do que as faces distais. Uma explicação provável para essa observação pode ser a migração mesial dos dentes naturais, que está intimamente associada ao componente anterior da força mastigatória. A migração mesial dos dentes é um fenômeno natural que, acredita-se, contrabalança o desgaste dos pontos de contato interproximais.

Logo, é possível que os dentes naturais localizados mesialmente aos implantes dentários estejam livres para migrar, enquanto a migração mesial dos dentes distais aos implantes seja impedida por estes, que não sofrem essa migração. Essa movimentação dos dentes distais parece estar relacionada a alterações na oclusão.

A extrusão dos dentes naturais, associada à infraposição das coroas sobre implantes adjacentes, poderia justificar a migração dos dentes e a consequente perda de contato proximal. Como a perda de contato interproximal de restaurações sobre implantes é um fenômeno
que ocorrerá inevitavelmente, coroas parafusadas sobre implantes são recomendáveis para permitir a adição de materiais protéticos, a fim de restabelecer os contatos proximais ou, quando necessário, refazê-los.

Figura 1 – A perda de contato interproximal causada pela migração mesial dos dentes naturais é um fenômeno natural e está intimamente
associada ao componente anterior da força mastigatória.
Figura 2 – A extrusão dos dentes naturais, associada à infraposição das coroas sobre implantes adjacentes, poderia justificar a perda de contato proximal.