Implantando na região anterior superior

Matéria da semana - Marco Bianchini

Implantando na região anterior superior

Por Marco Bianchini e Raíssa Curatelli

O maior problema da região anterior superior são os espaços mésio-distais que frequentemente estão reduzidos, impedindo de colocarmos um implante para cada incisivo perdido. Na maioria das vezes, o profissional opta por uma prótese fixa sobre dois implantes, que facilita a resolução estética. Contudo, esta solução, apesar de resolver bem a estética e função, acaba por frustrar alguns pacientes que gostariam de ter os seus dentes individualizados.

A fim de discutirmos com mais afinco este tópico, apresentamos um caso clínico bastante interessante da região anterior superior, onde o paciente foi perdendo dentes e colocando implantes ao longo de oito anos. As figuras 1 a 4 ilustram o caso.

Figura 1 – Radiografia periapical inicial dos elementos 12 a 22 com corte tomográfico dos mesmos. Observar a perda óssea no elemento 11, bem como as dimensões avantajadas do implante 22 (Hexágono Interno sem pilar protético e coroa protética feita diretamente sobre o implante).

Apesar das imagens radiográficas denunciarem os problemas ósseos do dente 11, foi o elemento 21 que fraturou primeiro, fazendo com que iniciássemos a reabilitação com implantes apenas no elemento 21, pois o paciente queria manter os seus demais dentes a todo custo.

Figura 2 – Implante Cone Morse Due Cone de 3,5 x 13 mm e pilar micro-unit com cinta de 2,5 mm (Implacil Osstem – São Paulo – Brasil) colocado na região do 21. Observar a boa adaptação dos tecidos duros e moles sobre os implantes 21 e 22. Observar também a deficiência estética dos elementos 11 e 12, com a manutenção da perda óssea periodontal no dente 11.
Figura 3 – Radiografias periapicais da região anterior superior demonstrando a colocação de mais um implante na região do 11 (Cone Morse Maestro 3,5 x 13 mm e pilar Ideale angulado de 17 graus e as dimensões de 3.3 x 4 com cinta de 1.5 mm – Implacil Osstem – São Paulo – Brasil), realizado após seis anos da primeira cirurgia feita para o implante 21.
Figura 4 – Próteses definitivas finalizadas já com mais um implante colocado na região do 12 (Cone Morse Maestro 3,5 x 11 mm e pilar Ideale com as dimensões 3.3 x 4 com cinta de 2,5 mm – Implacil Osstem – São Paulo – Brasil), feito após dois anos da colocação do implante 11. Observar que o pilar do elemento 21 foi substituído por um pilar Ideale 3.3 x 4 com cinta de 2,5 mm (Implacil Osstem – São Paulo – Brasil). Já o implante 22 recebeu um pilar switching para hexágono interno.

Este caso abre um leque de discussões muito interessantes para a reabilitação anterior superior. O primeiro tópico a questionar seria o motivo de não se ter reabilitado logo os quatro incisivos, haja visto o comprometimento estético da área. A resposta é simples: o paciente não aceitou esta terapia, considerando que seria muito traumático perder quase todos os dentes anteriores de uma só vez. Assim, o caso foi sendo realizado de uma maneira mais conservadora e os implantes foram sendo colocados um a um, ao longo de oito anos, sob a decisão do paciente.

Outro aspecto interessante a ser avaliado é o comportamento dos tecidos moles peri-implantares, especialmente do implante 22. Este implante foi realizado antes de o paciente aparecer para nós, aproximadamente há uns 20 anos. Mesmo com todas as dimensões avantajadas deste implante, além da sua plataforma hexagonal interna, o implante estava em excelentes condições ósseas e com estabilidade marginal dos tecidos duros e moles. Muito provavelmente este resultado se deu pela colocação de um pilar protético tipo switching, a fim de se ganhar mais espaço para os tecidos moles.

O fenômeno observado nos implantes com plataforma switching segue os mesmos princípios dos pilares Ideale fabricados pela Implacil Osstem. Esta configuração de pilares mais estreitos e com cintas metálicas superiores a 1,5mm, conferem uma estabilidade marginal dos tecidos moles peri-implantares bastante segura, pois respeita o espaço biológico para acomodação do epitélio juncional e da adaptação conjuntiva.

Por fim, vale ressaltar bastante que o espaço mésio-distal da região dos incisivos facilitou a instalação dos implantes e das próteses, sem falar ainda na abundância de mucosa queratinizada que contribuiu diretamente no resultado estético final. Assim, podemos concluir que a utilização de implantes Cone Morse de diâmetro de 3,5 mm e com pilares mais estreitos, favorecem a manutenção do espaço biológico peri-implantar, aumentando a manutenção da saúde e a longevidade dos tecidos duros e moles ao redor dos nossos implantes.