Dentes posteriores: qual a sua importância?

Matéria da semana Diego Klee

Dentes posteriores: qual a sua importância?

Por Diego Klee

A Implantodontia contemporânea, grande parte da atenção clínica e científica tem sido direcionada para a região anterior, em função das demandas estéticas e da importância desses dentes na harmonia do sorriso. Entretanto, a mesma atenção dedicada aos implantes e próteses na região anterior deveria ser direcionada à reabilitação implantossuportada em dentes posteriores. Embora os dentes posteriores não tenham protagonismo estético, eles desempenham um papel fundamental na biomecânica do sistema mastigatório, suportando a maior parte das cargas oclusais. Conferem estabilidade à mordida, melhoram a eficiência mastigatória e contribuem para a preservação da saúde bucal.

A ausência desses dentes pode levar à migração dos dentes vizinhos, extrusão de dentes antagonistas, perda óssea alveolar e perda progressiva da função mastigatória. O correto planejamento cirúrgico e protético é fundamental para o sucesso e a longevidade de qualquer reabilitação protética. Entretanto, além da recuperação de elementos dentais perdidos, o implantodontista deve ter a preocupação de restabelecer, da melhor maneira, a naturalidade dos dentes perdidos.

Nesse contexto, o perfil de emergência em regiões posteriores influencia diretamente na relação entre a coroa protética e a mucosa peri-implantar, tornando-se essencial para o conforto e a satisfação do paciente, bem como para a manutenção da saúde tecidual. Perfis inadequados podem dificultar o controle de biofilme, aumentando o risco de mucosite e peri-implantite. Por outro lado, um perfil de emergência bem planejado e executado permite uma transição protética mais fisiológica entre implante e coroa. Além de impedir impactações alimentares, ele favorece a estabilidade e a saúde dos tecidos peri-implantares, contribuindo diretamente para a satisfação dos pacientes.

O correto planejamento e posicionamento tridimensional do implante, associado à presença de uma mucosa peri-implantar com volume e qualidade adequados, bem como ao apropriado manejo tecidual nas etapas de transição, seja por meio de próteses provisórias ou cicatrizadores personalizados, serão determinantes para a construção de um perfil de emergência adequado. Mesmo em áreas posteriores, onde a demanda estética é menor, o respeito aos princípios biológicos e protéticos continua sendo fundamental para o sucesso de tratamentos protéticos implantossuportados.

Figura 1 – Vista oclusal do implante osseointegrado na região do dente 25 (Veloce 3.75mm/10mm, Implacil Osstem), com pilar protético (Ideale 3.3/4.0/1,5mm, Implacil Osstem). O condicionamento tecidual e adequação do perfi l de emergência foi realizado com a coroa de transição.
Figura 2 – Para o escaneamento intraoral, utilizou-se o transfer digital Exocad® (Implacil Osstem).
Figura 3 – Imagem oclusal obtida após o escaneamento intraoral, com o adequado perfi l de emergência da mucosa peri-implantar obtida por meio da coroa de transição.
Figura 4 – Coroa em zircônia monolítica fresada para ser parafusada ao pilar protético do implante.
Figuras 5 e 6 – Visão vestibular e oclusal da coroa em posição. O respeito aos princípios biológicos e protéticos permitem restabelecer da melhor maneira a naturalidade do dente ausente.