Por Márcio de Carvalho Formiga, Gustavo dos Santos Coura, Bruno de Freitas Mello, Gislaine Garcia, Levy Rau, Maurício Rosa, Ivan Borges Jr, Renato Fuler e Sergio Alexandre Gehrke
A obtenção de estabilidade primária adequada é crucial para o sucesso da osseointegração e para o sucesso a longo prazo dos implantes dentários, sendo a macrogeometria do implante um fator que influencia significativamente essa fixação mecânica inicial. Diferentes modelos de implantes, como cilíndricos, cônicos e híbridos, possuem características distintas que afetam sua inserção e estabilidade inicial no osso. Os implantes cilíndricos, devido à sua forma uniforme, muitas vezes proporcionam uma abordagem mais direta e previsível para alcançar a estabilidade. Em contraste, os implantes cônicos têm um design que melhora o engajamento inicial com o osso, o que pode ser particularmente benéfico em casos de baixa densidade óssea. Os implantes híbridos, que combinam características dos designs cilíndricos e cônicos, oferecem um equilíbrio das vantagens de ambos, visando otimizar a estabilidade primária em uma gama mais ampla de cenários clínicos.
Um estudo in vitro recente teve como objetivo avaliar e comparar a estabilidade primária de três macrogeometrias de implantes distintas em diferentes densidades ósseas simuladas em blocos sintéticos de poliuretano. Foram utilizados 90 implantes com diferentes macrogeometrias, formando três grupos (n = 30 por grupo): implantes cônicos convencionais (grupo DC – Due Cone); implantes cônicos com câmaras de cicatrização (grupo MAE – Maestro); e implantes cilíndrico-cônicos (grupo VEL – Veloce).

Dez amostras de cada grupo foram testadas utilizando blocos de poliuretano sintético com três densidades diferentes (10, 20 e 30 PCF). A estabilidade primária foi avaliada pela mensuração do torque de inserção (TI) e do quociente de estabilidade do implante (ISQ) imediatamente após a inserção do implante.

A análise estatística incluiu os testes ANOVA e Kruskal-Wallis para comparar os valores de TI e ISQ entre os grupos de implantes e as densidades ósseas. O grupo VEL demonstrou consistentemente estabilidade primária superior em todas as densidades testadas, atingindo os maiores valores médios de torque de inserção – até 80 Ncm a 30 PCF, e de índice de qualidade de inserção (ISQ) – até 78 a 30 PCF. O grupo MAE apresentou um perfil vantajoso em osso de baixa densidade (10 PCF), resultando em valores de ISQ mais altos que do grupo DC (54,0 ± 0,8) e torque de inserção comparativamente menor (6,0 ± 2,1 Ncm), em comparação com os outros grupos nessa densidade. O grupo DC apresentou desempenho eficaz em densidades mais altas, mas demonstrou estabilidade reduzida em blocos de 10 PCF em comparação com os outros grupos.
Diferenças significativas (p < 0,001) foram observadas entre os grupos e as densidades ósseas.
| ISQ médio ± Desvio Padrão (Grupo) | ||||
| Parâmetro | DC | MAE | VEL | p-value * |
| PCF 10 | 52.6 ± 2 Aa | 54.0 ± 0.8 Aa | 56.5 ± 1.6 Ba | 0.000 |
| PCF 20 | 72.3 ± 1 Ab | 72.0 ± 0.9 Ab | 73.1 ± 0.7 Ab | |
| PCF 30 | 72.1 ± 1 Ab | 70.3 ± 2.4 Ab | 76.3 ± 1.2 Bc | |
| Torque Inicial médio ± Desvio Padrão (Grup0) | ||||
| Parâmetro | DC | MAE | VEL | p-value * |
| PCF 10 | 7.0 ± 2.6 Aa | 6.0 ± 2.1 Aa | 11.5 ± 2.4 Ba | < 0.001 |
| PCF 20 | 35.5 ± 2.8 Ab | 30.0 ± 2.4 Bb | 55 ± 4.1 Cb | |
| PCF 30 | 39.5 ± 3.7 Ac | 30.5 ± 2.8 Bb | 74.5 ± 2.8 Cc | |

A macrogeometria do implante afetou significativamente a estabilidade primária, com o desempenho variando de acordo com a densidade óssea. O grupo VEL ofereceu alta estabilidade primária em uma variedade de qualidades ósseas, sendo particularmente eficaz em osso mais denso. O grupo MAE demonstra uma vantagem em osso de baixa densidade frente ao grupo DC, proporcionando estabilidade adequada mesmo com torque de inserção reduzido. Um estudo clínico está em andamento para comparar estes resultados laboratoriais com o que encontramos em pacientes.
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