Implantes curtos em mandíbula posterior: previsibilidade com TS III SA Short Implacil Osstem, mini pilares e fluxo digital

Matéria da semana - Thayane Furtado e Felipe Pohlmann

Implantes curtos em mandíbula posterior: previsibilidade com TS III SA Short Implacil Osstem, mini pilares e fluxo digital

Por Thayane Furtado e Felipe Pohlmann

Introdução

A reabilitação da mandíbula posterior com implantes dentários nem sempre depende apenas da disponibilidade óssea horizontal. Em muitos casos, o maior desafio está na altura óssea reduzida, especialmente quando o rebordo alveolar sofre reabsorção vertical e o canal do nervo alveolar inferior passa a limitar o posicionamento seguro dos implantes.

Essa deficiência vertical pode ocorrer por diferentes motivos: perda dentária antiga, reabsorção alveolar progressiva, infecções prévias, patologias associadas aos dentes ou simplesmente pela combinação entre pouca altura óssea e proximidade anatômica do nervo alveolar inferior.

Tradicionalmente, esses casos poderiam exigir procedimentos mais complexos, como enxertos verticais, regenerações ósseas extensas ou lateralização do nervo alveolar inferior. Embora essas abordagens possam ser indicadas em situações específicas, elas também aumentam morbidade, tempo cirúrgico, número de etapas e risco de complicações neurossensoriais.

Nesse contexto, os implantes curtos deixam de ser uma alternativa secundária e passam a representar uma estratégia clínica altamente racional.

No caso apresentado, foram instalados dois implantes TS III SA Short 5.0 x 6 mm da Implacil Osstem na região dos dentes 35 e 36, em mandíbula posterior com limitação vertical. A proposta foi realizar uma reabilitação fixa, previsível e menos invasiva, preservando estruturas anatômicas nobres e utilizando o fluxo digital para conduzir a fase protética com maior controle.

Mais do que “usar um implante curto”, o objetivo foi aplicar um conceito: quando a altura óssea é limitada, a solução mais inteligente nem sempre é criar mais osso. Muitas vezes, é escolher melhor o implante, controlar a carga e planejar a prótese de forma biomecanicamente favorável.

Figura 01: Print da tela do planejamento tomográfico no software Blue Sky Plan, evidenciando a reduzida altura óssea disponível na região posterior de mandíbula, com proximidade do canal mandibular e do nervo alveolar inferior.

Por que implantes curtos em mandíbula posterior?

A mandíbula posterior apresenta uma particularidade anatômica importante: a presença do canal mandibular e do nervo alveolar inferior. À medida que ocorre reabsorção do rebordo alveolar, a distância entre a crista óssea e o canal mandibular diminui, limitando a instalação de implantes convencionais mais longos.

Nesses cenários, uma alternativa seria a reconstrução vertical do rebordo. No entanto, quando a relação interoclusal está adequada, nem sempre há espaço protético suficiente para “ganhar altura” com segurança. Aumentar o rebordo verticalmente pode criar outro problema: reduzir o espaço necessário para a prótese, comprometer o desenho restaurador ou dificultar a higienização.

Outra possibilidade seria a lateralização ou transposição do nervo alveolar inferior. Essa técnica permite instalar implantes mais longos, mas envolve maior complexidade cirúrgica e risco de alterações neurossensoriais, como parestesia temporária ou permanente. Por isso, sempre que um planejamento menos invasivo puder oferecer previsibilidade, ele deve ser considerado.

É nesse ponto que o implante curto ganha força.

O uso de implantes short permite aproveitar a altura óssea disponível sem invadir a zona de segurança do nervo alveolar inferior, reduzindo a necessidade de enxertos verticais extensos e evitando procedimentos de maior morbidade.

No caso apresentado, a indicação foi ainda mais favorável porque havia necessidade de substituir dois dentes posteriores. Isso permitiu instalar dois implantes curtos e unir a reabilitação protética, favorecendo melhor distribuição de carga e reduzindo a concentração de forças sobre um único implante.

Figura 02: Vista clínica inicial da região posterior de mandíbula, evidenciando ausência dos elementos 35 e 36 e rebordo cicatrizado com limitação vertical. A proximidade anatômica do nervo alveolar inferior, previamente observada no planejamento tomográfico, direcionou a indicação de implantes curtos TS III SA Short 5.0 x 6 mm como alternativa menos invasiva para reabilitação fixa posterior.

TS III SA Short 5.0 x 6 mm: por que essa escolha?

Foram instalados dois implantes TS III SA Short 5.0 x 6 mm, indicados para uma situação em que a altura óssea disponível era limitada pela proximidade do nervo alveolar inferior.

O TS III SA apresenta design de corpo cônico, roscas trapezoidais com efeito de autorrosqueamento, design de rosca otimizado para a superfície SA e proposta de excelente estabilidade inicial. O catálogo também apresenta a opção short de 6 mm e orienta que, para implantes curtos, seja respeitado período adequado de cicatrização e que a prótese seja unida a outros implantes.

Essas características são fundamentais neste tipo de caso.

Em mandíbula posterior, especialmente quando o osso é mais corticalizado, o preparo do sítio receptor precisa ser criterioso. Um implante curto não pode depender apenas do comprimento para obter estabilidade. Ele precisa de desenho adequado, diâmetro favorável, controle de fresagem e uma conexão protética planejada para reduzir forças desfavoráveis.

O diâmetro 5.0 mm contribui para ampliar a área de contato osso implante e melhorar a distribuição biomecânica em região posterior. Já o comprimento de 6 mm permite respeitar a limitação vertical imposta pelo nervo alveolar inferior, sem transformar o caso em uma cirurgia reconstrutiva complexa. Na prática, o TS III SA Short atua como uma solução conservadora para casos em que o desafio não é apenas instalar o implante, mas instalar com segurança anatômica, estabilidade mecânica e previsibilidade protética.

Figura 03: Sequência clínica demonstrando a exposição do rebordo posterior mandibular e o preparo convencional dos sítios receptores nas regiões dos dentes 35 e 36.

Superfície SA e resposta biológica inicial

Um dos diferenciais do TS III SA está em sua superfície SA, obtida por jateamento e condicionamento ácido. Esse tipo de tratamento aumenta a rugosidade microscópica da superfície do implante, favorecendo adesão sanguínea, estabilização do coágulo e interação inicial com células envolvidas no reparo ósseo.

Em implantes curtos, esse ponto ganha ainda mais importância.

Como há menor comprimento disponível, cada milímetro de contato entre osso e implante precisa ser biologicamente eficiente. A superfície SA contribui para uma interface mais favorável à osseointegração, especialmente quando associada a estabilidade inicial adequada e a um protocolo protético que respeite o tempo de cicatrização. Por isso, neste caso, a escolha do TS III SA Short não esteve relacionada apenas ao tamanho reduzido. O implante precisava oferecer um conjunto de características compatíveis com o desafio clínico: comprimento curto, diâmetro favorável, estabilidade inicial e superfície biologicamente ativa.

Figura 04: Detalhe do implante TS III SA Short 5.0 x 6 mm, evidenciando sua macrogeometria curta e ampla, com corpo cônico, roscas progressivas e superfície SA. O tratamento de superfície por jateamento e condicionamento ácido aumenta a rugosidade microscópica do implante, favorecendo adesão sanguínea, estabilização do coágulo e resposta biológica inicial, fatores especialmente relevantes em implantes curtos, nos quais cada milímetro de contato osso implante precisa ser aproveitado com máxima eficiência.

Progressão funcional planejada: quando controlar a carga faz parte do tratamento

Em implantes curtos, principalmente em mandíbula posterior, a fase protética não deve ser pensada apenas como “instalar a prótese definitiva”. Ela faz parte da estratégia biomecânica do caso.

Após o período adequado de osseointegração, foram instalados mini pilares retos sobre os implantes. A escolha por uma prótese unida sobre dois implantes segue exatamente a lógica recomendada para implantes short: reduzir micromovimentos, distribuir melhor as cargas e evitar concentração de força em uma única unidade.

Além disso, casos em osso mais corticalizado exigem atenção ao padrão de carregamento. O osso cortical oferece excelente travamento, mas também responde de forma sensível à forma como as cargas são introduzidas. Por isso, o controle oclusal e a progressão funcional planejada são etapas relevantes.

A mecanotransdução explica parte desse raciocínio: o tecido ósseo responde aos estímulos mecânicos recebidos. Quando a carga é bem distribuída e introduzida de forma controlada, ela pode favorecer adaptação e remodelação óssea. Quando é excessiva, precoce ou mal direcionada, pode gerar sobrecarga e comprometer a estabilidade peri implantar. Neste caso, a reabilitação foi conduzida com atenção à distribuição oclusal, à união protética e à proteção funcional inicial. Em regiões posteriores, essa conduta é especialmente importante porque a carga mastigatória é maior e os implantes curtos exigem desenho protético e ajuste oclusal mais criteriosos.

Figura 05: Sequência clínica demonstrando a instalação dos implantes TS III SA Short 5.0 x 6 mm na região dos dentes 35 e 36 e, posteriormente, a adaptação dos mini pilares retos. A utilização de dois implantes curtos permitiu reabilitar a mandíbula posterior com limitação vertical, respeitando a proximidade do nervo alveolar inferior e criando uma base protética favorável para futura prótese unida, com melhor distribuição de cargas e maior previsibilidade biomecânica.

Mini pilares retos e fluxo digital sobre os implantes

Após o período de cicatrização, foram instalados mini pilares retos sobre os implantes. Essa etapa desloca a conexão protética para um nível mais favorável e permite conduzir a reabilitação de forma mais previsível, especialmente em próteses múltiplas parafusadas.

Na sequência, foram posicionados transferentes digitais sobre os mini pilares e realizado o escaneamento intraoral. Esse fluxo permite transferir para o ambiente CAD/CAM a posição dos componentes protéticos, reduzindo etapas analógicas e melhorando a previsibilidade do desenho final.

Em um caso com implantes curtos, essa precisão protética é essencial. A adaptação da prótese não pode depender de compensações laboratoriais excessivas. Quanto menor o implante, maior a importância de controlar os fatores que envolvem a superestrutura: passividade, desenho oclusal, contatos, perfil de emergência e distribuição de carga. O fluxo digital permite visualizar e controlar esses elementos antes da instalação clínica, tornando a prótese final uma extensão do planejamento, e não uma tentativa de correção após a cirurgia.

Figura 06: Vista clínica após cicatrização e instalação dos mini pilares retos sobre os implantes TS III SA Short 5.0 x 6 mm nas regiões dos dentes 35 e 36. A utilização de mini pilares favorece a condução protética em nível transmucoso, simplifica a fase restauradora e permite a confecção de uma prótese unida parafusada, estratégia importante para melhor distribuição de cargas em implantes curtos na região posterior de mandíbula.

Zircônia monolítica maquiada diretamente sobre mini pilares

A reabilitação definitiva foi realizada com uma prótese unida em zircônia monolítica maquiada, parafusada diretamente sobre os mini pilares, sem uso de Link.

Essa escolha trouxe vantagens importantes para o caso.

A zircônia monolítica apresenta elevada resistência mecânica, estabilidade de cor, excelente biocompatibilidade e baixa adesão bacteriana. Em região posterior, onde a demanda funcional é maior, essas características tornam o material especialmente interessante.

Além disso, por ser uma estrutura monolítica, reduz se o risco de lascamento associado a recobrimentos cerâmicos convencionais. A ausência de infraestrutura metálica também favorece uma solução mais limpa do ponto de vista estético e biológico, com excelente integração aos tecidos peri implantares.

Quando associada ao fluxo digital, a zircônia monolítica permite maior controle do desenho anatômico, dos contatos oclusais e da adaptação sobre os mini pilares. Em casos com implantes short, esse controle é decisivo, porque a prótese precisa proteger o sistema, não apenas substituir dentes.

Aqui, a prótese unida não foi apenas uma escolha restauradora. Foi uma decisão biomecânica. Ela ajudou a distribuir forças entre os dois implantes, reduziu a possibilidade de sobrecarga individual e permitiu conduzir uma progressão funcional mais segura.

Figura 07: Fluxo digital para reabilitação protética sobre mini pilares. A: Transferentes digitais Implacil Osstem posicionados sobre os mini pilares, permitindo a captura intraoral da posição tridimensional dos componentes protéticos. B: Tela do software 3Shape demonstrando o escaneamento intraoral, o desenho CAD da futura prótese implantossuportada unida nas regiões dos dentes 35 e 36 e o arquivo STL pronto para fresagem. Esse fluxo digital reduz etapas analógicas, aumenta a previsibilidade de adaptação e favorece o controle do desenho protético em casos com implantes curtos.

Discussão

Este caso demonstra uma situação cada vez mais comum na prática clínica: paciente com perda dentária posterior, limitação vertical mandibular e proximidade do nervo alveolar inferior.

Diante desse cenário, a decisão clínica não deve ser automática. Enxertos verticais, regenerações ósseas e lateralização do nervo podem ter indicação, mas também aumentam complexidade, morbidade e risco. Em muitos casos, especialmente quando há espaço protético adequado e possibilidade de instalação de dois implantes unidos, os implantes curtos oferecem uma alternativa mais conservadora e previsível.

O TS III SA Short 5.0 x 6 mm se encaixa exatamente nessa proposta. Ele permite trabalhar dentro da altura óssea disponível, respeitando o nervo alveolar inferior e reduzindo a necessidade de procedimentos reconstrutivos adicionais.

Seu desenho com corpo cônico, roscas trapezoidais e superfície SA favorece estabilidade inicial e resposta biológica adequada, enquanto o diâmetro 5.0 mm melhora a área de contato e a distribuição funcional em região posterior.

A estratégia protética complementa a escolha cirúrgica. O uso de mini pilares retos, transferentes digitais, escaneamento intraoral e zircônia monolítica maquiada diretamente sobre os mini pilares cria um fluxo coerente, no qual cada etapa reduz variáveis e aumenta controle. O ponto central é este: implantes curtos exigem planejamento. Quando bem indicados, unidos proteticamente e submetidos a um controle oclusal criterioso, eles podem transformar casos que antes dependeriam de cirurgias mais invasivas em reabilitações mais simples, seguras e reprodutíveis.

Figura 08: Resultado clínico final após instalação da prótese implantossuportada unida em zircônia monolítica maquiada nas regiões dos dentes 35 e 36. A reabilitação parafusada sobre mini pilares demonstra a integração entre implantes curtos TS III SA Short 5.0 x 6 mm, planejamento protético digital e controle biomecânico, permitindo recuperação funcional da mandíbula posterior com menor invasividade cirúrgica e preservação do nervo alveolar inferior.

Conclusão

A reabilitação posterior de mandíbula com pouca altura óssea não precisa, obrigatoriamente, começar por uma cirurgia reconstrutiva complexa.

Em casos bem indicados, o TS III SA Short 5.0 x 6 mm da Implacil Osstem permite uma abordagem menos invasiva, respeitando a proximidade do nervo alveolar inferior e oferecendo uma solução segura para regiões com limitação vertical.

Neste caso, a associação entre dois implantes curtos, mini pilares retos, prótese unida e fluxo digital permitiu construir uma reabilitação fixa, resistente e biomecanicamente favorável.

O implante curto não deve ser visto como uma solução de concessão, mas como uma ferramenta estratégica. Quando associado a planejamento adequado, superfície favorável à osseointegração, progressão funcional controlada e prótese unida em zircônia monolítica, ele amplia as possibilidades clínicas do implantodontista e reduz a necessidade de procedimentos de maior morbidade. Em implantodontia, previsibilidade não está apenas em fazer mais cirurgia. Muitas vezes, está em escolher o componente certo, respeitar a biologia e usar a tecnologia para simplificar o caminho até o resultado final.

Figura 09: Vista clínica final da prótese implantossuportada unida em zircônia monolítica maquiada, instalada nas regiões dos dentes 35 e 36. A reabilitação parafusada sobre mini pilares evidencia adequada integração protética e oclusal, com anatomia compatível com a região posterior e distribuição de carga entre os dois implantes TS III SA Short 5.0 x 6 mm.

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